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Tecladista do grupo A Cor do Som, Mú Carvalho lança seu segundo CD solo, "O pianista do cinema mudo", com várias participações especiais. O grupo A Cor do Som foi um marco na transição dos anos 70 para 80, com jovens artistas tocando música original, choros, maxixes e maracatus, numa estética musical diferente, com influência do rock e do jazz. Era um grupo sonoramente miscigenado e entre aquelas mentes (sim, e corpos) estava Mú, o tecladista. Depois que a banda acabou, ele andou tocando com outros artistas e agora lança seu segundo trabalho solo, O pianista do cinema mudo (Boogie Woogie Music). Filho e neto de pianistas (a avó, Alice Magalhães, tocava no Cinema Central de Juiz de Fora, nos anos 30), Mú fez um disco devocional. O amor pelos ritmos que ouvia na infância, por Ana (sintetizado em Chapliniana Z), pelas trilhas sonoras e pela MPB sem servidão a formatos aprovados pelo mercado está lá, íntegro. Inéditas em que confessa sua paixão por Chick Corea, como Hotel Guadalupe, ou o tango alucinado (virado em maracatu) de O sol da noite em Les Baux, revelam um músico inspirado. No álbum, Mú se cercou por artesãos sonoros, como Oswaldinho do Acordeon, Jorge Helder (baixo), Marcos Suzano (pandeiro e cajon), Nivaldo Ornelas, Marcio Montarroyos, Nivaldo Ornellas e ex-companheiros de A cor do som, como Armandinho, Ary Dias e Sidinho. Mú também fez releituras de músicas gravadas pela A cor do som, como Apanhei-te mini-moog, Intuição e A semente mágica. E também de O elefante equilibrista, que agora parece outra (do seu primeiro LP, Meu continente encontrado, produzido em 1985, por Egberto Gismonti, que abusou de recursos eletrônicos)."Vinha pensando em fazer isso há muitos anos, acústico e com quarteto de cordas, mas não tinha a menor estrutura financeira", admite. Agora deu. Site e gravadora - Foi preciso que Mú se apaixonasse para voltar a compor. "No meio dos anos 80, o mercado ficou estranho, voltado para uma coisa seletiva, no sentido de só um tipo de música ter espaço. Algo como ''agora é só rock new wave''", lembra. E não só as gravadoras, mas as rádios queriam uma coisa de cada vez. "Isso me desestimulou, para dizer a verdade". Mú Carvalho considera importante o trabalho de rádios e gravadoras, mas condena o negócio do jabá ("um monstro que criaram e está engolindo eles mesmos"). A coisa soou, para ele, muito arrumadinha: "A Blitz estourou e foi como se dissessem: ''Agora vamos fazer outra igual''. E tudo ficou muito marcado". Para ele, a MPB era mais fértil na época da Bossa Nova, Tropicalismo e Novos Baianos - que ele também considera um movimento precursor das fusões de regional com pop que muitos acham, a exemplo de Frejat, que teve início nos anos 80. "Nos anos 80, ficou tudo pobrezinho", opina. Tanto que, quando foi convidado, em 1994, para fazer parte da equipe de produtores musicais da TV Globo, sentiu mais prazer do que gravar para fazer o jogo do mercado. Nessa época, ele conheceu sua atual esposa, Ana (que também é guitarrista) e que deu uma força para que voltasse a compor . "Ela era a minha maior incentivadora. Passei a acreditar mais em mim". O resultado é o novo CD, que também inaugura a sua gravadora, a Boogie Woogie. "A gente quer gravar música de qualidade. Daquelas que dá prazer tocar no próprio som". Os fãs do grupo que deu à MPB Abri a porta, Zanzibar e Menino Deus, entre outras jóias, podem ir torcendo que vem disco novo por aí. Em 1994, teve o Ao vivo no circo (que faturou um Prêmio Sharp). Há dois anos, fizeram um songbook da banda e o site vai de vento em popa: a propósito, Mú entra todo dia para bater papo com os fãs (www.acordosom.com.br). A idéia agora é gravar um disco acústico com a formação original. Duas músicas foram gravadas e o processo só esbarra um pouco por conta dos compromissos de Mú e dos outros. Ary e o brother Dadi estão em turnê com Rita Lee, Armandinho em carreira solo e ele continua na Globo, cujo trabalho, em sua opinião, fez com que crescesse artisticamente. "Íamos retomar o projeto depois do carnaval, mas ainda estamos tentando nos reunir", situa. Os fãs do grupo, que da década de 80 para cá já viram e ouviram tantas bobagens ganharem a mídia, não perdem por esperar. |