Que
Mu Carvalho, o caçula da banda A Cor do Som, se amarra em uma
trilha sonora de cinema não é novidade. Pelo currículo do moço já
passaram as trilhas de "A Dama do Lotação", "Os
Sete Gatinhos", "Navalha na Carne", "Noviço
Rebelde" e "Xuxa Requebra", mas ainda faltava um
projeto mais pessoal. Algo que remetesse à família, às origens.
Pois foi na avó do bom Mú que veio a influência exata para o novo
disco, "O Pianista do Cinema Mudo". Dona Alice Magalhães
também tinha talento com o piano e nos anos 30 cuidava das músicas
que ambientavam as sessões de filmes mudos das matinês do Cinema
Central de Juiz de Fora.
"O Pianista do Cinema Mudo" é um daqueles álbuns que
explora todo o vocabulário musical do artista e o reflete na forma
de ricas composições – bem típico de um membro da polivalente A
Cor do Som. Para dar o apoio camarada, foi convidado um time de músicos
de qualidade indiscutível. A percussão inigualável de Marcos
Suzano está presente em todas as 13 faixas do disco. Quem também
aparece são os talentosos Oswaldinho do Acordeón e Carlos Malta,
dando o tom regional em algumas canções. O antigo parceiro
Armandinho dá o ar da graça em três canções: "Viver pra
Sorrir", "Hello Chick" e "Intuição", essa
última já gravada pelo A Cor do Som. "Semente Mágica" e
"Apanhei-te Mínio Moog" também são peças resgatadas do
baú da banda baiana. Outra música pinçada é "O Elefante
Equilibrista", gravado no primeiro disco de Mu, em 1985.
Não há estilo definido no repertório. Pelo cinema de Mú estão
em cartaz tangos ardentes, levadas jazzísticas, baiões brasileiríssimos,
salsas balançantes e até declarações de amor, como em "Chapliniana
Z",canção dedicada à mulher Ana Zingoni. |
| BoogieWoogie
Music |
|