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Jornal O Globo
Abril de 2002



  
Começou a Circular


CD - O Pianista do Cinema Mudo

    

Que Mu Carvalho, o caçula da banda A Cor do Som, se amarra em uma trilha sonora de cinema não é novidade. Pelo currículo do moço já passaram as trilhas de "A Dama do Lotação", "Os Sete Gatinhos", "Navalha na Carne", "Noviço Rebelde" e "Xuxa Requebra", mas ainda faltava um projeto mais pessoal. Algo que remetesse à família, às origens. Pois foi na avó do bom Mú que veio a influência exata para o novo disco, "O Pianista do Cinema Mudo". Dona Alice Magalhães também tinha talento com o piano e nos anos 30 cuidava das músicas que ambientavam as sessões de filmes mudos das matinês do Cinema Central de Juiz de Fora.

"O Pianista do Cinema Mudo" é um daqueles álbuns que explora todo o vocabulário musical do artista e o reflete na forma de ricas composições – bem típico de um membro da polivalente A Cor do Som. Para dar o apoio camarada, foi convidado um time de músicos de qualidade indiscutível. A percussão inigualável de Marcos Suzano está presente em todas as 13 faixas do disco. Quem também aparece são os talentosos Oswaldinho do Acordeón e Carlos Malta, dando o tom regional em algumas canções. O antigo parceiro Armandinho dá o ar da graça em três canções: "Viver pra Sorrir", "Hello Chick" e "Intuição", essa última já gravada pelo A Cor do Som. "Semente Mágica" e "Apanhei-te Mínio Moog" também são peças resgatadas do baú da banda baiana. Outra música pinçada é "O Elefante Equilibrista", gravado no primeiro disco de Mu, em 1985.

Não há estilo definido no repertório. Pelo cinema de Mú estão em cartaz tangos ardentes, levadas jazzísticas, baiões brasileiríssimos, salsas balançantes e até declarações de amor, como em "Chapliniana Z",canção dedicada à mulher Ana Zingoni.
BoogieWoogie Music