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Release
Os músicos estão
pisando com força neste comecinho de 2002.
Fechando o ano de 2001, que registrou o lançamento de belíssimos
discos da música instrumental brasileira, chega agora ao mercado o CD
"O pianista do cinema mudo", do compositor, pianista, arranjador e
produtor musical Mu Carvalho.
Um dos integrantes do sempre cativante grupo A Cor do Som, Mu é autor
de várias trilhas sonoras para teatro, cinema e televisão e atuou ao
lado de diversos artistas, como Gilberto Gil e Jorge Benjor, tendo
sido considerado Melhor em Teclados, em 1980 (prêmio concedido pela
Rede Bandeirantes aos Melhores da Música).
"O pianista do cinema mudo", foi gravado no Boogie Woogie Estúdio e é
o primeiro lançamento do selo Boogie Woogie (ambos de sua propriedade
e de sua mulher Ana Zingoni) e está sendo distribuído no Brasil pela
Kuarup. Trata-se de uma homenagem do artista à sua avó, Alice
Magalhães, "pianeira" que encantava os freqüentadores do Cinema
Central de Juiz de Fora nos anos 30.
Inteiramente acústico, conta com a participação de um time de
talentosos instrumentistas. Mu está ao piano, tendo a seu lado, em
todas as faixas, o percussionista Marcos Suzano e o baixista Jorge
Hélder, e assina todos os arranjos de base e todas as composições, à
exceção de "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu, faixa que conta
com a participação de Carlos Malta na flauta baixo.
Para que se tenha uma idéia mais precisa da variedade dos grandes
músicos que aderiram a este "O pianista do cinema mudo", vale conferir
o seguinte: Em "Apanhei-te mini-moog" (título que remete a "Apanhei-te
cavaquinho", de Ernesto Nazareth), baião já registrado pelo grupo A
Cor do Som no disco "Intuição", Mu recebe, como convidado especial,
Osvaldinho do Acordeon.
No baião "Em algum lugar do futuro", Mu conta com a participação de um
duo de cordas formado por Marcio Mallard (violoncelo) e Ricardo Amado
(violino) e arranjo de cordas de Nivaldo Ornelas.
"O elefante equilibrista", chorinho registrado no primeiro LP de Mu,
"Meu continente encontrado" (produzido por Egberto Gismonti, em 1985),
aparece agora em sua versão acústica, contando novamente com a
presença de Marcio Mallard e Ricardo Amado e arranjo de cordas de
Nivaldo Ornelas.
No tango inédito "O sol da noite de Les baux", a participação do
Quarteto Bessler e de Osvaldinho do Acordeon aparece com uma leitura
ao melhor estilo Astor Piazzolla.
Em "Hotel Guadalupe", outra inédita e que reflete a admiração de Mu
pela levada espanholada de Chick Corea, o pianista recebe como
convidado especial o trompetista Marcio Montarroyos.
"A dança dos camundongos" é uma salsa inédita, inspirada nas polcas do
Clube Finlandês de Penedo, freqüentado pelo compositor na infância.
Conta com a participação especial de Marcio Mallard e Ricardo Amado,
além de Sidinho e Ary Dias, reforçando a percussão de Marcos Suzano.
Em "Uma tarde ao cair do piano", outra inédita, o compositor brinca
com o título do programa "Um piano ao cair da tarde", presença
obrigatória no rádio do apartamento de Ipanema, onde viveu sua
infância. Para acompanhá-lo nesse maracatu, Mu recebe novamente o duo
de cordas formado por Marcio Mallard e Ricardo Amado.
"Intuição", choro registrado no LP homônimo da Cor do Som, conta com o
talento de Armandinho ao bandolim.
A balada "Semente Mágica", registrada pela Cor do Som no LP de mesmo
nome, traz a particiçação de Nivaldo Ornelas (sax soprano) e do
Quarteto Bessler.
"Viver pra sorrir", de Mu e Armandinho, conta com a participação do
parceiro ao bandolim.
"Hello, Chick", registra a homenagem de Mu ao pianista Chick Corea e
conta com a participação especial de Armandinho e do Quarteto Bessler.
Finalmente, na belíssima "Chapliniana Z", uma homenagem à sua mulher,
Ana Zingoni, Mu sintetiza a história do disco e sua admiração pelas
trilhas sonoras do cinema mudo, tendo como convidados o Quarteto
Bessler e de Osvaldinho do Acordeon.
Portanto, pelas faixas acima descritas sucintamente, o futuro ouvinte
poderá aquilatar toda a sedução deste disco, que representa, estou
certo, uma virada na carreira de um dos mais simpáticos músicos
brasileiros de sua geração.
Ricardo Cravo Albin
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